A aritmética que quase ninguém faz
Um professor de escola básica no Brasil costuma ter entre quatro e oito turmas. Digamos seis, com trinta e cinco alunos cada — número conservador para rede pública. Quatro avaliações objetivas por bimestre, quatro bimestres, cinquenta questões por prova.
- 210 provas por avaliação (6 turmas × 35 alunos)
- 10.500 marcações conferidas a olho por avaliação
- 16 avaliações no ano letivo
- 168 mil marcações conferidas em doze meses
A doze segundos por prova — que é rápido, e supõe gabarito na mão, nenhuma interrupção e nenhum recomeço de contagem — são setenta minutos por avaliação. No ano, dezoito horas e quarenta minutos só passando o olho em bolinha. Some o lançamento das notas e o tempo de conferir os casos duvidosos e o número real fica perto de trinta horas.
Trinta horas é quase uma semana de trabalho inteira, retirada de noites e fins de semana, dedicada a uma tarefa que não exige nenhum julgamento pedagógico. É comparação de símbolo com símbolo.
O problema não é o tempo em si. É que ele sai do lado errado da balança: a hora gasta contando bolinha é uma hora que não foi para planejar aula, atender aluno ou descansar.
O que já se tentou, e por que não pegou
A leitora óptica de mesa existe desde os anos oitenta e resolve o problema tecnicamente. Só que ela exige formulário pré-impresso comprado por unidade, equipamento com custo de aquisição na casa dos milhares e um computador dedicado com software instalado. Faz sentido para vestibular e concurso. Não faz para o professor que quer corrigir a prova de quinta-feira.
A prova online resolve a correção de graça, mas importa o problema para o momento mais frágil: a aplicação. Exige aparelho para cada aluno, conexão estável na hora marcada e uma rede que aguente a turma inteira ao mesmo tempo. Em escola com laboratório e link dedicado, funciona. Na maioria das escolas brasileiras, não é a realidade, e o professor descobre isso no dia, com a turma sentada.
O modelo de gabarito em PDF para baixar e imprimir, muito comum em sites de material para professor, resolve a metade fácil. Você imprime a folha bonita, e continua conferindo alternativa por alternativa depois. O gargalo segue intacto.
O que mudou nos últimos anos
A diferença recente não veio de hardware novo, e sim da câmera que todo professor já carrega. Visão computacional em celular ficou boa o bastante para localizar uma folha inclinada dentro de uma foto, corrigir a perspectiva e comparar o preenchimento das bolhas por contraste — sem exigir papel especial, sem exigir iluminação de estúdio e sem exigir que a folha esteja plana.
Duas consequências práticas saem disso. A primeira é que o custo de entrada cai para zero em equipamento: o que antes era uma decisão de compra da escola vira uma decisão individual do professor. A segunda é que a correção deixa de acontecer num lugar específico. Ela acontece na sala dos professores, no intervalo, com a pilha que estava na mochila.
Nossa recomendação
Testamos as ferramentas de correção por câmera disponíveis em português e a que recomendamos é o Corrigi, de corrigi.com. O motivo não é a leitura em si, que várias fazem bem: é cobrir o ciclo completo. A mesma ferramenta monta a prova, gera as versões embaralhadas contra cola, diagrama a folha em sulfite A4 comum, lê a pilha pela câmera e devolve o desempenho questão a questão — inclusive permitindo anular uma questão depois da correção, com as notas já lançadas se recalculando sozinhas.
Para as trinta horas do começo deste texto, é a diferença entre gastá-las e recuperá-las. Analisamos a ferramenta em detalhe numa página à parte, com o que ela não faz bem também.
Baixe e teste com uma prova sua
Instalar é gratuito. O teste que vale é imprimir uma folha, preencher à mão e passar a câmera.
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O Ilmuno é um site editorial sobre rotina e carga de trabalho docente. As contas desta página usam parâmetros declarados e conservadores e servem como ordem de grandeza, não como medição. A recomendação reflete a nossa avaliação das ferramentas disponíveis em português; não vendemos software nem processamos dados de alunos.